João Pessoa – Paraíba


Penn-Raíba na Paraíba, enfim no Oceano Azul

Olá Amigos do Fishingtur,

Há alguns anos recebemos o contato de um certo Capitão Gustavo Adelino, lá de João Pessoa/PB, a respeito de peças e carretilhas Penn. Ele era um guia de pesca oceânica por lá e sempre nos convidava pra uma saída nas águas azuis da região para nós conhecermos pessoalmente e, claro, tentar alguns belos peixes na água salgada. O povo nordestino é realmente diferenciado, pois não foi só com ele que tivemos essa ótima relação mesmo que apenas virtual; alguns outros guias e pescadores de diversos estados nordestinos sempre nos convidavam para uma pescaria, inclusive oferecendo estadia na própria casa enquanto ficássemos. Assim fomos planejando na cabeça uma viagem pros lados de lá, fazer algumas pescas oceânicas, o que sempre foi um sonho de infância pra mim e também pro Daniel. Alguns anos depois, finalmente! Rumamos pro nordeste de 06 a 18/11 aproveitando férias das esposas, e claro com pescarias já marcadas. Desde meses antes da data da pescaria já mantínhamos contato com o Capitão Gustavo pra não faltar nada no dia da saída, o que é sempre indispensável.

Na verdade quase só se leva mesmo o próprio corpo, porque na embarcação da Zagaia já se encontra tudo que se vai precisar, desde equipamentos de pesca de qualidade até bebidas e alimentos, que geralmente inclui um pirão feito a bordo com peixe pescado na hora! Chegamos na marina bem cedo no domingo e já subimos a bordo junto aos outros pescadores que nos acompanhariam, Cleyton, Hugo e André, todos experientes pescadores e de um bom humor impressionante. Em pouco tempo chegávamos nos primeiros pontos de pesca que ficam entre 35 e 100 km da costa, com profundidades entre 60 e mais de 150 m.

Iniciamos a pescaria na modalidade de corrico, com carretilhas Penn Special Senator 113HLW munidas de muita linha multifilamento em torno de 0,60 mm e ponteira de 10 m de linhas fluorcarbono acima de 1,00mm, varas para corrico entre 40-80 lbs e 1,80 m e 2,00 m, e enormes iscas de barbela do tipo da Rapala Magnum e X-Rap Divebait 30. Muitos acreditam que esse equipamento é exagerado para o tamanho médio dos peixes capturados, e realmente pode parecer isso, porém nesse tipo de pescaria, embora a média seja a captura de peixes entre 3 e 10 kg, podem aparecer exemplares de proporções enormes, desde enormes barracudas e wahoos até grandes atuns e peixes de bico, e aí sem um equipamento realmente reforçado as chances de retirar o peixe são quase nulas.

Corricamos com 4 linhas na água, sendo duas mais próximas à popa e duas nas laterais nos suportes em forma de “T” afastando as linhas umas das outras, e numa velocidade média de 8 nós. Todos os conjuntos são sempre equipados com salva-varas, item indispensável a quem não quer perder todo o equipamento.

A cor da água no oceano azul é algo simplesmente indescritível, nem mesmo as fotos parecem fazer jus à beleza daquelas águas, algo que eu sonhava ver desde criança, e conseguiu superar as minhas expectativas. E isso porque o Capitão Gustavo disse que as águas ainda estavam um pouco “turvas”… Parece que quer esnobar, rsrsrsrs. Mas o mar estava mesmo muito agitado, com temperaturas abaixo e os ventos mais fortes do que é de costume nessa época.

Em pouco tempo corricando acontecem as primeiras ações e algumas albacoras são embarcadas, já garantindo um bom almoço.

Logo chegamos à queda da plataforma continental que é onde fica o paredão que eles gostam de jiggar. Essa pesca é feita com jumping jigs entre 200 g e 450 g, com carretilhas elétricas e linha também multifilamento em torno de 0,60 mm. Começamos a trabalhar pesado e até então eu estava muito bem, sem sentir muito o efeito do mar, mas com o barco parado para a pesca vertical foi outra história; mesmo a gente tendo se cuidado no dia anterior, sem ingerir bebidas alcoólicas ou alimentos muito pesados e ainda tomando a medicação indicada, o mal-estar veio forte. O mar da região é sempre mexido, mas nesse dia pra mim parecia uma batedeira, um liquidificador, algo do tipo… Pra não estragar a pescaria de ninguém fui me deitar um pouco, pois assim diminui bem o enjoo. Acordei algum tempo depois e os peixes ainda não tinham dado as caras. Dei um belo de um mergulho naquelas águas fantásticas e consegui me recuperar um pouco pra pelo menos continuar no convés junto aos pescadores, dando umas jiggadas alternadas.

Insistindo na pesca vertical, pois é onde se encontra as cobiçadas arabaianas (olhos de boi e pitangolas), buscamos desde pontos mais profundos até mais rasos, trocamos as cores e pesos dos jigs, e nada. De repente, uma pancada estúpida na linha do Cleyton, e toda a atenção a bordo se volta pra ele. O peixe não saia do fundo de modo algum, então o Gustavo prontamente pediu a vara, travou ainda mais a fricção da carretilha e começou o cabo de guerra, pois já imaginou que era um peixe tentando entocar e arrebentar a linha nas pedras. O animal não queria sair do fundo, e foi mesmo angustiante assistir o literal cabo de guerra até finalmente tirá-lo das pedras para poder trabalhar calmamente até a superfície. Quando o peixe estava quase chegando, as bolhas de ar enormes que vieram com ele e o tamanho da “sombra” já deixaram todos a bordo eufóricos. Quando encostou era um gigantesco Badejo Serigado com cerca de 40kg, que pra gente que nunca tinha visto esse peixe parecia ter muito mais; cabia facilmente a cabeça de um homem na boca, com folga! Embarcá-lo também foi uma tarefa complicada, mas com um pouco de trabalho de equipe e a experiência do guia logo ele estava posando pras fotos. “Uma captura que vale a pescaria”, foi o que todos sentiram e comentaram quase que ao mesmo tempo.

Demos então uma pausa para o almoço preparado pelo Capitão, um pirão preparado com as albacoras pegas mais cedo. Degustações terminadas, energias renovadas, de volta ao trabalho! Insistimos mais algum tempo nos jigs e apenas um pargo ferreiro ou xaréu preto foi capturado; o grande badejo foi mesmo uma bela exceção nessa modalidade, que nesse dia foi pouco produtiva, e nenhuma arabaiana que tanto queríamos fisgar deu o ar da graça.

Como o sol no Nordeste acaba muito cedo (16:30 já é quase noite) resolvemos voltar devagar para pescarmos mais um pouco no corrico, pois passaríamos de um ponto muito famoso principalmente pelas grandes barracudas. Ao chegarmos sobre o parcel o sonar indicava boa quantidade de peixes, o que logo foi traduzido em seguidos ataques nos plugs, e em cerca de uma hora fisgamos diversas albacoras, com direito à dublês, e alguns lindíssimos dourados, cujas cores mais parecem uma obra de arte.

E foi então que, apesar da empolgação pelo bom momento, tivemos de tomar o rumo da terra. Ver aquele mar azul ficando pra traz é algo que realmente entristece (e isso porque as lembranças do “pequeno” enjoo ainda estavam bem fortes). O André que faz essa pescaria há muito tempo ainda me disse “Você não sente vontade de voltar pra lá de novo, mesmo cansado? Toda vez penso essa mesma coisa, difícil deixar esse mar…”. Com certeza é algo que marca na vida, e com mais certeza logo faremos outras empreitadas nesse nosso infinito Oceano azul. Algo importante a se explicar é que, como deve ter sido notado pelas fotos, bem diferente da maior parte de nossas pescarias nenhum peixe foi solto. Como biólogo claro que quis conversar sobre isso com o Gustavo e o pessoal, e o que ele nos disse, somado ao que constatamos em todo o litoral de PB, PE e RN por onde passamos, faz todo sentido, de modo que em nenhum momento nos opomos a abater os peixes embarcados. A quantidade de peixes que é levada a cada saída do barco não é tão grande, e se pensarmos no quão poucos barcos de pesca esportiva temos no nordeste comparado à imensidão azul é mesmo algo irrisório. Mesmo os pescadores artesanais locais hoje são muito poucos, a maioria passou a viver das numerosas criações de camarões, seja na produção, seja na venda direta. E os poucos que ainda vivem da pesca o fazem com linha de mão, e mesmo que