Fazenda Paraná - Uma pescaria com gigantismo na ponta da linha


Local: Pesqueiro Fazenda Paraná - Nova Serrana - MG Data: 31/10 e 01/11/13

Olá Amigos,

Na última semana, na quarta-feira eu estava no aeroporto de Goiânia as 7h da manhã, liguei para o amigo China perguntando se ele não queria ir pescar, em 2 minutos no telefone decidimos ir para a Fazenda Paraná. Cheguei em São Paulo por volta das 10h e as 10:30 já estava em casa. Liguei ao amigo e proprietário do pesqueiro, o Klebinho e fechamos a pescaria.

O China passou em minha casa as 12:30h, passamos no trabalho do Júnior, o qual estava com as Bóias Cevadeiras e os chicotinhos das Bóias Barão e depois seguimos viagem.

Saímos de São Paulo pela Rodovia Fernão Dias, e no Km 617, pegamos a saída para Oliveira, seguindo pela BR 494 no sentido de Nova Serrana, passando por Divinópolis e outras cidades. A distância média de SP até o Pesqueiro foi de 500km.

As 21h já estávamos na Fazenda Paraná, onde fomos muito bem recebidos pelo Edinho e pela Marise, funcionários que estão a mais de 20 anos trabalhando com a família.

Arrumamos a tralha, fizemos um lanche e fomos dormir.

Na manhã seguinte, quinta-feira dia 31/10 acordamos as 7h e logo já estávamos no deck. Fizemos alguns arremessos com as Bóias Cevadeiras Barão, mas apenas os curimbas e pequenos peixes subiram para comer. Conforme a ração foi em direção ao meio do lago, ouvimos e vimos algumas grandes explosões. Montamos então uma Bóia Torpedo Barão com chicote de 3mts com anzol 12146 MS 6/0 com pão ou sebo flutuando. Arremessamos com poita e aguardamos.

O peixe não estava afim de nada, fomos tomar um belo café da manhã e no retorno vi a minha bóia, mas o pão não estava lá. Fui recolhendo e ao esticar a linha senti o peso e fisguei. O peixe deu uma disparada e na corrida minha linha cortou. Era um peixe pesado e forte, mas infelizmente o perdemos.

O lago principal da Fazenda Paraná tem grandes proporções. As tradicionais carretilhas de perfil baixo comportam em média 100mts de linha o,37mm. Dependendo do local que você ficar, corre o risco de ficar sem linha na carretilha.

Montamos vários conjuntos de varas de 6'6" a 7'0" de 15 a 30 libras, com carretilhas de perfil baixo com linhas 0,37 e 0,40mm.

O China montou também uma vara Pampo com uma Carretilha Curado, equipamento este que ele pescou com as Bóias Cevadeiras.

Eu usei dois equipamentos a maior parte do tempo:

Vara Veritas 6'9" 12-20 libras - Abu Garcia Carretilha Revo S - Abu Garcia 100mts e Linha Laiglon 0,37mm

Vara Cevadeira customizada 2,40mts - Leal Custom Carretilha Revo Toro - Abu Garcia Aproximadamente 200 mts de linha mono 0,40mm

Na parte da manhã os peixes deram um baile em nós, tentamos de tudo quanto foi jeito e nada dos peixes atacarem nossas iscas. Apenas duas boas ações, mas que perdemos, pois o peixe cortou nossos chicotes.

Decidimos então tentar no canto mais raso do lago, um lugar bem estreito e calmo. Cevamos bastante e vimos algumas manchas negras aparecendo, assim como muitas Pincacharas. Tentamos na salsicha flutuando e nos evas, mas sem resultados positivos.

Arremessei a bóia torpedo com o pão flutuando. Em outro equipamento, este com a salsicha flutuando fiquei fazendo arremessos bem perto da margem oposta onde alguns peixes estavam rebojando.

Eu estava brigando com os peixes neste canto quando uma gigantesca explosão fez o pão e a bóia desaparecer. Como eu estava longe, o China fisgou o peixe e começou a briga até que eu chegasse perto. Peguei o passaguá, alicate, máquina fotográfica e a balança e fui onde o China estava.

Este foi fisgado com o conjunto da Abu Garcia com a Vara Veritas e a Carretilha Revo S.

Brigamos com esse peixe por mais de 20 minutos. Onde o China assumiu o controle e eu desci o barranco com o passaguá. O peixe já estava totalmente cansado, subia e ficava de barriga para cima mas rebojava e puxava linha novamente, subia, boiava, mas virava e puxava de novo. Chegava até a margem, jogava água prá todo lado e ia de novo lago a a dentro.

Neste momento já sabíamos que se tratava de um peixe muito grande, porém não tínhamos noção do quanto era pesado. A adrenalina foi tomando conta pois o medo de perder o grande exemplar era grande, pois até então não sabíamos como estava o anzol, onde estava fisgado, nem a situação da linha do chicote, mas em uma das vezes que ele chegou bem perto da margem, quase dentro do passaguá, conseguimos ver que o anzol estava muito bem preso no céu da boca, com a linha fora da boca, ou seja, não tinha risco nenhum de cortar a linha.

O peixe ainda brigou mais alguns minutos próximo a margem até que eu consegui coloca-lo dentro do passaguá, o segurei pelo cabo e com a outra mão segurei no aro, mas na primeira tentativa de levantar, praticamente não consegui tirar o peixe do lugar.

Ele começou a se bater dentro do passaguá na tentativa de sair que o tranco foi tão forte que o passaguá literalmente saiu de minhas mãos. mas rapidamete o segurei de novo forçando-o para baixo, não dando chance para o peixe se bater.

O China desceu e juntos, tentamos erguer o peixe sem que ele se arrastasse no barranco mas não conseguimos. Já sabíamos que tinhamos um gigante nas mãos, mas nesse momento de tentar lavantar o peixe vimos que o gigante era maior e mais pesado do que pensávamos.

O China segurou o cabo do passaguá e o aro. Eu segurei o outro lado do aro e com a outra mão segurei e rede do passaguá. Só assim e fazendo muita força conseguimos levantar o peixe da água e colocar no barranco.

Nos ajeitamos e juntos tivemos que levar o peixe para a parte de cima do barranco, onde procuramos uma área com grama. Andamos uns 10 metros com o peixe e mesmo em duas pessoas, foi difícil de carregar o passaguá. As mãos doíam ao apertar o aço do passaguá com o peso do peixe.

Tiramos o anzol e olhamos um para o outro, ambos com cara de assustados e nosso diálogo foi bem assim:

China: -Olha isso, nunca vi um peixe desse tamanho. Marcio: -Caracas, esse é gigante. China: -Mas desse tamanho nunca ví em lugar nenhum, nem em foto. Marcio: -Éhhhh. Eu também nunca vi. Marcio: -Peixe de 30kg fica pequeno se colocar perto desse. China: -Vamos pesar? Marcio: - Lógico.

Dei a balança para o China, e peguei a máquina fotográfica, minha intenção era fotografar o digital com o peso do peixe, mas o China fez três tentativas para levantar o peixe, mas o peixe praticamente não saiu do chão. E olha que ele estava fazendo força.

Fui ajudá-lo, com uma das mãos em um lado da balança e na outra mão a máquina fotográfica, e juntos fomos erguendo o peixe, vimos o digital da balança subindo....20....25.....28...32....38...e "Err", ou seja, o limite da balança que era de 40kg já estava no limite, por isso apareceu a mensagem de erro. Tentei fotografar com a outra mão, ficou ruim a foto, mas se prestarmos atenção conseguimos ver. O que mais nos indignou é que a balança travou nos 40kg e o peixe ainda tinha boa parte de seu corpo ainda no chão. Da nadadeira traseira para trás ainda estava no chão, ou seja, pesamos apenas 1/4 do peixe. Na foto abaixo você conseguirá ver a balança dando erro e o peixe com parte do rabo ainda no chão.

O proprietário da Fazenda Paraná viu o peixe e nos disse que este é um dos exemplares que ele tem de 48 a 60kg. Ele nos disse que esse peixe tem 50kg.

Eu e o China nos olhamos com dúvidas, pois até hoje nunca tínhamos visto um Tambacu deste peso. Em São Paulo a média dos gigantes é de 35....39kg, mas são poucos. Em Goiás os maiores que vimos foi de até 42kg, mas um exemplar de 50kg é algo inacreditável. Imaginem só os de 60kg que o Klebinho nos garantiu que estão nesse lago.

Esse Tambacu tinha quase dois palmos de largura, de lombo, parecia um porco. Outro ponto que chamou a atenção foi a largura do rabo, não dava para fechar a mão para segurar. Isso sem falar no leque do rabo.

Eu e o China compartilhamos as fotos desse gigante. Não importa quem arremessou, quem iscou, quem fisgou ou quem brigou com o peixe mais tempo. Com o trabalho em equipe, em conjunto, o resultado é sempre positivo.

Segue a foto do gigante com o China e comigo.

Conforme eu disse acima, a largura do rabo desse peixe nos chamou muito a atenção. Reparem no tamanho da minha não perto do peixe e no tamanho do leque do rabo que é praticamente da largura do meu corpo.

Não temos como dar uma precisão do peso deste exemplar. Temos certeza absoluta que ele pesa muito mais de 40kg (devido ao travamento da balança nos 40kg). Estimamos algo acima dos 45kg. O dono do pesqueiro nos garantiu que este é um dos exemplares acima dos 50kg a 60kg.

Decidimos então citar este exemplar como: "Tambacu de 48 a 50kg"

Segue fotos do gigante de 48 a 50kg com o China.

E agora as únicas três fotos que eu tirei com o gigante de 48 a 50kg. Eu não consegui ficar com esse peixe abraçado. A minha mão que estava segurando o peso perto do rabo começou a formigar e eu fiquei com medo de derruba-lo, então o soltei.

Um Tamba de 30kg, eu abraço e tendo segurança, consigo ficar o tempo que for para tirar fotos, mas este peixe foi bem diferente, o peso era absurdamente maior.