Pesqueiro Castelinho – Conheça os mistérios da pesca das grandes Pirararas

Matéria: Especial Pirararas Local: Pesqueiro Castelinho – São Pedro – SP Castelinho Olá amigos pescadores do Fishingtur, somos Felipe e Daniel, do Penn-Raíba Carretilhas, empresa que trabalha com venda e restauração de carretilhas PENN, há pouco mais de um ano no mercado. Esta é a primeira vez que escrevemos uma matéria para esse site que cada vez mais está crescendo, unindo e informando pescadores. Sendo assim optamos por fazer este “especial” Pirararas no Castelinho, dicas, técnicas e informações sobre a pesca desse fantástico peixe dentro do Castelinho, local onde vivem os maiores exemplares do estado de SP (sem sombra de dúvidas), com até 70kg, e pelo qual somos literalmente apaixonados! É o único local em que já fisgamos 22 espécies de peixes diferentes, e tudo num único lago! São elas: Pirarara, Pintado, Cachara, Pacu (incluindo um de quase 15kg!!), Tambacú, Tambaqui, Tilápia do Nilo, Tilápia Rendalli (as tilápias não existem mais no lago principal, devido justamente às pirararas), Tucunaré amarelo, Acará, Lambari, Traíra, Tuvira (isso mesmo), Cascudo, Carpa Cabeçuda, Carpa Espelho, Carpa Prateada, Corimbatá, Piauçú, Matrinxã, Apaiari (o Oscar dos aquaristas) e Dourado. Realmente Fantástico! É importante prezar pela saúde dos peixes, visto que as maiores pirararas do local levaram quase 20 anos para chegarem ao tamanho que estão, e levaria muito tempo para a reposição de um indivíduo de grande porte. Uma vez que o pescador toma as devidas precauções, os peixes retornam à água praticamente ilesos, se tornam cada vez maiores, mais fortes, e mais inteligentes. Uma prova disto é a pirarara apelidada por nós de Xarada, por possuir uma interrogação ao contrário bastante evidente em seu ventre. Foi fisgada e solta por nós 4 vezes em 4 anos, e a cada vez estava bem maior e mais forte; da primeira vez tinha cerca de 18 kilos, e na última, já com quase 35, precisamos do auxílio do barco para tirá-la dos enroscos e d’água . Aí estão as fotos:


O Castelinho é um local diferente dos demais, e que obriga o pescador a utilizar equipamento extra-pesado, devido ao grande número de estruturas sobre e sob o lago, principalmente o grande Píer, local que as grandes mais gostam de arrebentar as linhas. Por esse motivo, linhas de 0,70mm a 0,90mm, carretilhas que comportem cerca de 150m a 200m da linha escolhida, varas reforçadas de ação rápida, e anzóis de excelente qualidade entre 7/0 e 10/0, são indicados para que se tenha ALGUMA chance de tirar um grande exemplar daquele lago, que quanto mais frequentamos mais nos assusta. Alguns podem dizer que isso é tudo exagero, que assim se acaba com a esportividade da pescaria, pois fica fácil “rebocar” uma pirarara com equipamento tão pesado. Ledo engano… Quem já fisgou uma pirarara de mais de 50kg, com equipamento bem pesado, sabe que é IMPOSSÍVEL rebocar um animal desses, mesmo com linha 0,90 e carretilha Penn Senator a briga não leva menos de 20 minutos! Pode ser que com pequenas piras, de até 10kg, fique realmente fácil, mas aí o pescador tem que saber o que quer: ter trabalho e esportividade para tirar as pequenas, e quando entrar uma grande perdê-la facilmente; ou tirar facilmente algumas pequenas, e quando algo com mais de 40kg aparecer estar pronto para uma briga quase no mano-a-mano (a vantagem é sempre delas, devido ao grande número de enroscos por lá). Além disso, aqueles pescadores que se vangloriam de terem levado 1 hora e meia para tirar uma pirarara de 15kg d’água, com linha 0,35mm, deveriam pensar melhor no que fizeram. Sou Biólogo, e o Daniel é Ecólogo, e podemos afirmar que essa pirarara chegou perto da morte por Stress físico, e por acúmulo de ácido lático (como quando um maratonista termina a prova, com câimbras generalizadas no corpo todo, podendo inclusive entrar em choque ou ter uma acidose). Os peixes não são robôs que podem ficar brigando por tempo indeterminado; Uma briga boa, esportiva, é aquela de igual para igual, com chances para os dois lados, e sem colocar em risco a vida de um dos combatentes. Equipamentos indicados: Varas: Gostamos de utilizar varas de fibra de vidro maciço nacionais, como as Araty White Hawk, linha Millenium, Pesca Brasil, Yamato, etc… São quase inquebráveis, bem baratas, e relativamente fáceis de encontrar. Procure varas a partir de 6,4 pés, pois varas muito curtas dificultam fisgadas quando o peixe está longe, já que geralmente se usa iscas grandes, e a boca das grandes é bem grossa, difícil de penetrar. Para a pesca de arremesso indicamos varas com cerca de 3 metros de comprimento, mais de 60lb de resistência, e de preferência com ação rápida, devido ao grande peso do conjunto a ser arremessado (bóia, chumbo de poita e isca grande), muitas vezes beirando meio kilo. Utilizamos uma Caranha de 3,02m, 60lb, da Albatroz Fishing; é bem em conta e cumpre muito bem o serviço. Linhas: Indicamos a utilização de linha monofilamento de diâmetros bem espessos, pois dificulta que enrosque nos vãos entre madeiras do píer, e têm melhor resistência à abrasão do que as multifilamento. Para varas que arremessamos longe, geralmente para pesca durante o dia com bóias e iscas vivas, utilizamos linhas mais finas, entre 0,65 e 0,75mm, e para as de fundo ou curta distância, linhas de 0,75 a 0,90mm. Procure utilizar a marca de sua confiança, e que melhor se adeque ao seu equipamento e ao seu bolso. Carretilhas: São um dos pontos mais importantes nesse tipo de pesca, pois têm de ter fricção muito forte, e engrenagens resistentes, para que se tenha chance de segurar as Araras antes de chegarem nos paus, sem medo de imprevistos. Nesse contexto indicamos carretilhas sem guias de linha, das marcas Penn (americanas), Daiwa (japonesas), e Abu Garcia (suecas). A maioria das outras não têm fricção suficiente, e as engrenagens podem simplesmente aquecer até fundir, apesar de existirem muitas exceções. E com os maiores exemplares mesmo assim será bem difícil; segue foto dos dedos do Daniel após a briga com uma pirarara de 55kg (e foto dela Tb), uma das maiores que pegamos em 8 anos. Mesmo com a carretilha Daiwa Sealine 50H (perfil alto) travada no máximo, ela parecia que não sentia nada e só acelerava, aí o dedão no carretel foi inevitável, mas não adiantou muito como você podem conferir… Após uma hora de correria atrás dela, eu que tive de entrar na água para chegar até ela, pois até nós ela não veio…


Eu, Felipe, com a “Monstra” de ~55kg (nunca segure a Pirarara somente pelas nadadeiras peitorais, repare que o peixe está apoiado no pescador).